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Beto Carrero

A ressaca que atinge o Litoral Norte desde o fim de maio coloca em alerta comunidades que há tempos lutam contra a natureza e insistem, em nome de um desenvolvimento imediato, em ocupar áreas de proteção e preservação. Embora saiba-se que o avanço do mar seja um fenômeno mundial, e cíclico, também influenciado pelo aquecimento global, as alterações que as cidades realizaram no passado e continuam realizando também aceleram esse processo. Trata-se de uma conta que só se paga no futuro.

Ao fechar os olhos para construções em área de marinha, em cima de manguezais e lagoas, margens de rios e restingas, o Poder Público contribui para ampliar os danos causados por enchentes e ressacas. Por trás desse “desinteresse” em fiscalizar está como sempre o interesse eleitoral e financeiro. Os mesmos interesses que se sobrepõe à coletividade quando políticas públicas de planejamento são discutidas.

Uma das orlas mais destruídas pela força do mar nas últimas décadas, a praia de Piçarras sofreu menos desta vez, o que não quer dizer que não esteja sendo atingida. Desde que foi recuperada por um aterro hidráulico pela última vez, entre 2012 e 2013, a faixa de areia vem sendo afetada por ressacas e pela corrente marinha, que já reduziu boa parte da restinga nas áreas mais afastadas dos molhes.

 

 É fato que o processo de erosão foi acelerado, se não iniciado, a partir do aterro de lagoas e mangues e da alteração na dinâmica das correntes marinhas com a fixação da barra.

 

A cidade vem enfrentando a fúria do mar desde que optou por um modelo de desenvolvimento que privilegiou a especulação imobiliária em detrimento dos recursos naturais. É fato que o processo de erosão foi acelerado, se não iniciado, a partir do aterro de lagoas e mangues e da alteração na dinâmica das correntes marinhas com a fixação da barra.

Na Praia das Pedras, em Barra Velha, onde se permitiu, décadas atrás, a construção de casas sobre a faixa de areia, a situação também é preocupante. Mas, assim como tem exigido a população nas redes sociais, cabe aos moradores, e não ao Poder Público, providenciar a limpeza e a proteção das propriedades construídas, legalmente ou não, sobre a área de conservação. E couberá à coletividade pagar, no futuro, pelos danos que estamos provocando hoje.


* Leandro Cardozo de Souza - jornalista, editor do Expresso das Praias


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