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A família do centenário Ataíde Teixeira chega a Paranaguá, onde nosso protagonista seguirá um novo rumo

Inquieto como sempre, seu Campolino, o pai de Ataíde Teixeira, deixou para trás o Matarazzo, a carteira assinada, a casa da firma, a comida garantida pela cooperativa da empresa. Libertário, fazendo valer o espírito nômade, levou a família de volta ao centro de Antonina e dali a Paranaguá, tudo isso antes de seguir para a Serra da Prata. Em Antonina, desta vez, a passagem foi muito rápida, suficiente apenas para que calçasse umas ruas no centro da cidade com a ajuda dos filhos Vadico e Bebeco, ambos ainda pequenos, mas já aprendendo o ofício do pai.

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Ao contrário dos irmãos mais moços, Ataíde escapava do serviço pesado para frequentar a escola e a ousadia lhe rendia castigos que melhor seria esquecer. Bom mesmo é lembrar-se das professoras e do afeto que elas dispensavam aos alunos. Aos poucos, as memórias nebulosas da infância vão se delineando com mais nitidez e ele consegue recordar até mesmo a mestra que tivera na primeira passagem por Antonina: chamava-se dona Maria Arminda, personagem que hoje é nome de um educandário naquela cidade. Outra professora querida guardada no coração dele é dona Amália, do período vivido no Matarazzo.

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Essa fase findou junto com o ano de 1933, quando Campolino, Lola e os filhos rumaram a Paranaguá. Naquela cidade, a família iria se completar com o nascimento da caçula, Janete, em maio de 1934. Agora eram seis crianças em uma incessante jornada que teve como destino inicial a casa da avó materna, Rosalina, no bairro do Rocio. Janete foi batizada na igreja local pelo pároco da cidade, o padre Emílio. A madrinha foi a irmã de dona Lola – Nilza – e o padrinho, o futuro cunhado de Nilza, Brasílio Abud. Na época, Nilza era namorada de Antônio Abud e diziam que se os namorados batizassem juntos uma criança, não daria certo o casamento. Então, para garantir, fizeram esse arranjo.

Alguns meses depois a família mudou-se para uma casa alugada perto da avó, no Rocio mesmo. Ataíde, perseverante, foi estudar com a professora Sully Ferrer da Rocha em uma sala cedida pelo Sindicato dos Estivadores. Só que nem chegou a esquentar a carteira e veio outra mudança, agora para uma parte da cidade chamada Estradinha. Aí, sim, o garoto ávido por conhecimento viveu um tempo de muito aprendizado com a professora Cidália Rebello Gomes.

Mais um tempinho, um novo contrato e... outra mudança. Seu Campolino contratara a reforma da usina de energia elétrica que ficava na Serra da Prata e transferiu a família para lá. Foram morar na Colônia Quintilha. Eram duas colônias de famílias italianas – a outra era a Colônia Pereira, que concentrava produtores de hortaliças, legumes, farinha. Ataíde se lembra das famílias Vanhoni, Zela - todos descendentes de italianos. De madrugada, os agricultores saíam em carroças puxadas por dois cavalos para vender a produção a bancas de comércio em Paranaguá.

A casa alugada para abrigar a família Teixeira na Colônia Quintilha era isolada, à beira da estrada de barro, sem vizinhos. Só a uns 800 metros tinha uma chácara pertencente a Raul Silva, um funcionário da alfândega que passava os fins de semana ali com a família.

"Havia um rio perto da casa dele, uma ponte, uma beleza!"

Na Serra da Prata funcionava uma sala de aula para filhos de funcionários da empresa de energia. É claro que Ataíde frequentou o lugar, contudo, achou fraco o ensino e quando a família voltou de lá para a cidade de Paranaguá, ele não procurou outra escola. Enquanto o pai, a mãe e os irmãos foram morar de novo na Estradinha, o garoto preferiu seguir para junto da avó no Rocio.

Continua na próxima semana.

 
 
Jane Cardozo da Silveira
Author: Jane Cardozo da SilveiraWebsite: http://lattes.cnpq.br/6693654081890010Email: Este endereço de email está sendo protegido de spambots. Você precisa do JavaScript ativado para vê-lo.
Jornalista com especialização em Jornalismo e mestrado em Turismo, professora no Curso de Jornalismo da Univali. Autora de "Em busca da identidade perdida - subsídios para uma política integrada de comunicação em turismo cultural nos municípios de Penha e Piçarras"
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