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poesia

 Eu quero ver, agora, que a vacina está chegando

Qual a desculpa do malandro pra viver ludibriando.

Se aproveitava do Covid para enganar um monte de gente

A cada cobrador na porta, fingia que estava doente.

Muito sujeito aproveitou para lucrar com a pandemia

De manhã lá no postinho e a noite inteira na folia.

Sem contar o tipo safado que estava bem empregado

Mesmo assim se inscreveu e no auxílio foi beneficiado.

E quando o repórter perguntou, já tinha resposta pronta

Filho, nem sei como o dinheiro foi parar na minha conta.

Em frente a agência da Caixa uma lição de humildade

Era o rico e o pobre todos com a mesma igualdade.

Mas ladrão que rouba ladrão tem cem anos de perdão

Foi quando o moço do banco avisou: não fique triste doutor

Infelizmente, a sua parcela alguém já passou a mão!

Diz o ditado que um dia é da caça e o outro do caçador

O rapaz que é meu vizinho, na empresa onde trabalhava

Quase todo dia faltava de tanto parente que sepultou.

Mas a mentira tem perna curta e um dia na própria empresa

A família que era de longe veio toda para fazer uma surpresa.

Outro caso interessante, a do marido cansado com ideia genial

Alegando ter sintoma solicitou a esposa o distanciamento social.

Mas ela fingiu não desconfiar de nada, seguiu e pegou o marido

Foi um flagrante, agarrado com amante e a máscara tinha caído.

Um caso registrado do cidadão que para não ser mais roubado

Colocou frente ao portão uma placa: Covid feroz solto no cercado.

Sem contar outros casos que se não aconteceu contigo, sorte sua:

O marido apressado, ao invés da máscara pegou uma peça qualquer

A esposa, coitada, com pouca roupa em casa, saiu a rua seminua

Ele saiu faceiro sem saber que cobria o rosto com a calcinha da mulher.

Assim segue a pandemia, para uns muita tristeza; outros só alegria

Enganando a mãe, o pai, a sogra, a vovó e até a pobre da tia.

Eram os peritos do aplicativo, subversivos e sem limite de ganância

Fizeram a festa com o dinheiro alheio, do pobre por ignorância.

Mas dizer o que, num país que se condena tanto a corrupção

Agora foi a vez de muita gente, que sobre desonestidade deu lição.

A culpa é do coronavírus que ainda não infectou os políticos cara de pau

Principalmente, lá da Câmara e do Senado, os representantes do mal.

Na hora que o povo mais precisava de uma vacina para nos proteger

Eles, lá em Brasília, disputavam e nem máscara usavam para ficar no poder.

É meu povo querido, só não morrem os bandidos de terno e gravata

Enquanto mais um inocente se despede da vida de uma forma ingrata.

Que desculpa vamos dar se por você não tive tempo para chorar

Fica até difícil brincar na hora de lembrar que poucos te ouviram

Que desculpas vamos dar se quem sabe por você eu deixei de lutar

A melhor maneira de me perdoar e fazer mais em nome dos que partiram.

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