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Com a vitória em São Paulo, ele é o quarto no ranking nacional

PIÇARRAS - Com sentimento de dever cumprido, Marcelo “Tem Tem” Pocidônia, da Associação dos Deficientes Visuais de Itajaí e Região (ADVIR), celebrou a conquista do primeiro lugar na segunda etapa do Circuito Nacional de Atletismo Paralímpico. Na disputa da classe T11, ele alcançou a marca de 1 metro e 24 centímetros e se tornou o primeiro Catarinense campeão do salto em altura para cegos.

A etapa foi disputada durante o fim de semana, dias 10 e 11, no Centro Paralímpico Brasileiro, em São Paulo. Além do salto em altura, o Time de Itajaí conquistou mais seis medalhas no circuito nacional. Marcelo está a apenas 2cm das marcas registradas pelo terceiro e segundo colocados no ranking nacional. Ele treina para superar a marca de 1m27cm durante a final do Campeonato Brasileiro, no fim de setembro, quando os atletas terão mais uma oportunidade de alcançar índice paralímpico.

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A primeira etapa do Circuito Brasileiro, em julho, também foi seletiva para o Campeonato Mundial e Jogos Parapan-Americanos.

“Ali estavam os melhores atletas do país e também de fora. Foi uma prova muito forte em que eu não consegui fazer um bom salto. Errei todos os três”, lembra Marcelo.

Mesmo sem alcançar a meta, ele persistiu nos treinos e voltou na segunda etapa focado na promessa de dedicar um título nacional à mãe, Bernadina “Vidinha” Pocidônia. E o esforço valeu a pena, garantiu a melhor marca da carreira iniciada em 2013.

O desafio começou com 1m05cm de altura. Cada um dos seis atletas teve três chances para executar cada salto:

“Eu fiz o primeiro salto na primeira tentativa. Depois, subiu para 1m10cm e fui de primeira novamente. Aí, aumentou para 1m15cm e eu consegui na segunta tentativa. Fomos para os saltos com 1,18m, 1,21 e 1,24m e eu passei na terceira em todos”, relembra.

Tem Tem só parou no salto de 1m27cm, mas já não haviam mais adversários na classe T11 para alcançá-lo. A promessa para Dona Vidinha já estava paga:

“De 1m18cm adiante só tinha eu na prova. Enquanto acertava, ia subindo... A comemoração foi muito forte porque a alegria foi muito grande de poder cumprir a promessa que eu fiz para minha mãe quando ela ainda era viva, de um dia ser campeão brasileiro”, conta emocionado.

Treinador Sidney Reinhold, da FMEL/Itajaí, guia o atleta cego nas provas (Foto: Divulgação | ADVIR)

E a festa que começou em São Paulo só terminou na segunda-feira (12) de madrugada. Recebido em Balneário Piçarras pela esposa, filha, família e amigos, ainda no domingo (11), Marcelo agradeceu a todos que o acompanham nessa jornada.

“Quando cheguei na minha casa, tava tudo decorado com as medalhas que eu já conquistei e me emocionei muito com a alegria de quem estava aqui torcendo por mim e também me apoiando”.

Em busca do topo

Na formação do pódio do atletismo paralímpico, os competidores são classificados de acordo com o desempenho em relação ao recorde mundial da classe em que disputam. Marcelo foi campeão nacional do salto em altura para atletas totalmente cegos. O resultado foi o segundo mais próximo do recorde mundial da classe T11 e garantiu a medalha de prata.

O bronze ficou com o campeão da categoria T12 e o ouro com o primeiro colocado da T13, ambas para atletas com baixa visão. Diferente deles, Tem Tem precisa de um guia para orientar o salto.

“A evolução é muito surpreendente. O Marcelo sempre participou do lançamento de peso ou dardo. Em sete meses treinando o salto em altura já é o quarto no ranking nacional. Um resultado que se espera com no mínimo cinco ou seis anos de treino”, avalia o técnico da Fundação Municipal de Esportes de Itajaí, Sidney Reinhold, que guiou Marcelo na prova em São Paulo.

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Parte do Time Paralímpico de Itajaí, que conquistou sete medalhas na 2ª etapa do Circuito Brasil de Atletismo (Foto: Divulgação | ADVIR)

Apoio decisivo

Para treinar e competir, Marcelo Pocidônia conta com patrocínio de empresas locais. Interessados em apoiá-lo podem contatar o treinador Sidney pelo telefone 99912 9430.

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