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 BARRA VELHA -  Ficou para a próxima semana a definição da empresa que vai executar o projeto de abertura da Avenida Beira Mar em Itajuba. Nove empreiteiras se apresentaram nesta segunda-feira, dia 06. Mas como uma delas foi inabilitada, a concorrência pública foi suspensa até o fim do prazo para recurso, segunda-feira (13).

Durante a primeira etapa, um grupo se manifestou com faixas e cartazes em frente à Prefeitura para exigir a suspensão da obra e o debate em torno de outras alternativas para o sistema viário. O impacto ambiental e paisagístico, além do avanço do mar sobre a orla estão entre as principais preocupações. 

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A pista dupla para circulação de veículos deve ficar a seis metros acima do nível do mar - e de muitas casas construídas junto à praia. Protegida por um enrocamento de pedras, vai se estender por seis quadras entre as ruas Oatri Bambrila, no Tabuleiro, e Paraíso, na Praia do Sol.

O Governo Municipal afirma que o objetivo é ampliar a mobilidade, a circulação de moradores e visitantes. As praias de Itajuba estão no alvo da indústria da construção civil no Litoral Norte do estado. 

Hoje não tem segurança para o pedestre, porque não tem calçada; não tem segurança para o ciclista... a circulação não se fecha e o motorista precisa fazer um retorno pela BR-101" - afirma o secretário de planejamento Elvis Füchter, engenheiro que assina o projeto. 

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Avenida deve ficar a seis metros do nível do mar (Imagem: Reprodução | PMBV)

Estão previstos ainda calçada acessível, duas pistas de circulação de veículos, ciclovia com separação física, canteiro da área de serviço, calçada de dois metros e meio acessível. A vegetação nativa deve ser revitalizada ao longo de todo o talude.

A obra tem custo estimado em R$ 3.760.144,17 e será realizada por meio de financiamento da Agência de Fomento de Santa Catarina (Badesc). O prazo para conclusão é de oito meses após assinatura do contrato. 

Grupo pede suspensão da obra

Proprietários de imóveis junto à quadra da praia e ao traçado da via levantam dúvidas quanto aos benefícios da obra diante dos possíveis danos ambientais e paisagísticos que ela pode representar.

Nós gostaríamos que tivesse uma discussão pública, para que fossem ouvidas todas as demandas dos moradores do bairro... Nós não nos opomos a que tenha uma avenida beira mar, mas que essa avenida não passe por cima da área de restinga e da praia", afirma o morador da Praia do Sol, Frederico Lenhart.

Vizinho dele, o geógrafo e arqueólogo Júlio César de Sá vê problemas técnicos no projeto para nivelar a pista a partir do ponto mais alto. Ele também considera a base de pedras inconsistente para as condições locais:

O que nós temos aqui em Itajuba é uma praia cuja granulometria da areia é bastante grossa. Esse tipo de solo não consegue segurar determinados pesos como o de uma rodovia", avalia.

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 No limite: de acordo com estudo costeiro, mar deve avançar até próximo ao nível da estrutura (Imagem: Arquivo | Divulgação)

Avanço do mar preocupa

A erosão acelerada da faixa de areia é uma das justificativas apresentadas por quem defende a mudança no trajeto definido pela Prefeitura.

Porque a estrada vai fixar a linha de costa, que é muito dinâmica. E essa fixação pode gerar uma perda de areia muito grande inclusive de outras praias próximas", afirma a oceanógrafa Ligia de Freitas Tebechrani, que também mora na Praia do Sol.

Procurada pelo Expresso das Praias, a Secretaria de Planejamento de Barra Velha afirma que o projeto leva em conta um estudo de modelagem matemática da praia realizado em 2018, ao qual a reportagem teve acesso.

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Bairro Itajuba é alvo da indústria da construção civil no Litoral Norte de SC (Imagem: Divulgação)

Com objetivo de identificar estratégias para minimizar a erosão, o levantamento realizado pela empresa dinamarquesa DHI aponta causas para a erosão costeira das praias de Barra Velha, entre elas Itajuba e Tabuleiro. Depois de analisar a ação das correntes ao longo dos anos, os engenheiros constataram :

Os episódios com erosão da linha de costa nos últimos anos ocorrem de forma mais frequente e com maior intensidade quando comparados aos períodos anteriores. A consequência disso é que não há suficiente tempo para a praia se recuperar entre uma ressaca e outra. Com a intensificação dos processos erosivos durante o inverno, a largura da praia pode ser insuficiente para absorver a dinâmica da linha de costa, o que resulta em erosão costeira e danos às calçadas, ruas, casas e outra infraestrutura costeira"

O estudo recomenda a realização de aterro para recompor a faixa de areia entre outras medidas para reduzir o efeito da erosão,  nenhuma medida ou projeto neste sentido foi realizada desde então.  (Leia a íntegra do Estudo)

O secretário de planejamento garante que os dados específicos sobre a área onde se pretende construir a avenida indicam que o avanço do mar não vai comprometer a estrutura. 

Nosso estudo de dinâmica indica que o mar chega até o nível 3,5... então foi feito um enrocamento de base para aguentar a energia. Mas o trecho onde passa a avenida em nenhum momento houve atingimento por ressaca" - afirma Elvis Füchter.

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Grupo de moradores da Praia do Sol  se manifestou em frente à Prefeitura durante abertura da licitação (Foto: Divulgação)

Degradação ambiental

Assim como a nova rodovia, a maioria dos imóveis localizados junto às praias de Itajuba também está sobre área de marinha - e de preservação ambiental. A Prefeitura informou que já deu entrada no licenciamento junto à Secretaria do Patrimônio da União e que toda a área é declarada de utilidade pública.

Essa área era praticamente uma praia privada. As pessoas que andavam ali, o pessoal começava a olhar com cara feia como se a gente estivesse entrando no terreno deles", afirma Elvis Füchter.

O município informa que deu entrada mas ainda não obteve a Licença Ambiental de Instalação (LAI). A licença prévia da Fundação Municipal do Meio Ambiente (Fundema)  indica que a obra é de "pequeno porte", mas de "grande" potencial de degradação ambiental, sobretudo para o solo.

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Avenida vai percorrer seis quadras entre as praias do Tabuleiro e do Sol (Foto: Divulgação | PMBV)

A supressão da vegetação nativa que atua na dinâmica de formação da praia e do ecossistema local é uma das preocupações. A Prefeitura afirma que embora não tenha sido concluído ainda, o licenciamento ambiental prevê recomposição de uma faixa de vegetação de restinga ainda maior do que a que deve ser suprimida pela obra.

A licença ambiental prévia determina que a Prefeitura execute obras de drenagem para evitar deslizamentos durante as obras.

 

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