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REGIÃO - A Foz do Itajaí Açu é o epicentro da pandemia de Covid-19 e está classificada como de risco gravíssimo para disseminação do novo coronavírus. Em apenas 15 dias, Penha registrou aumento de 101,1% no número de casos de Covid-19. Até o dia 30 de junho, haviam 167 infectados pelo coronavírus no município, enquanto em 15 de julho a quantia mais que dobrou, chegando a 336.

Balneário Piçarras também observou um salto considerável de 52% nos novos casos. No mesmo período, a cidade passou de 192 para 271 acometidos pela Covid-19.

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Entre as datas, Penha teve três novos óbitos (passando de seis para nove mortes), enquanto Balneário Piçarras manteve-se com os mesmos dois falecimentos.

Os casos da doença na região da Foz do Rio Itajaí Açu, por sua vez, subiram 64%, passando de 5.945 para 9.753 registros no período entre 30 de junho e 15 de julho. As mortes também dispararam, sofrendo acréscimo de 63,7%, passando de 91 para 149 óbitos.

Estudo aponta agravamento da epidemia

A crise do coronavírus vem se agravando e um relatório produzido pelo Centro Integrado de Gerenciamento de Riscos e Desastres de Itajaí (CIGERD), em parceria com a Rede de Pesquisa e Estudo sobre Riscos e Desastres na Foz do Rio Itajaí (REPEDfri) mostra a evolução da situação. O levantamento mensal mostrou que em junho houve um crescimento de 259,2% nos casos confirmados e 225% nos óbitos nas cidades pertencentes à região da Foz do Rio Itajaí.

O estudo mostra que oito dos 11 municípios da região, incluindo Balneário Piçarras e Penha, enquadram-se no status de emergência no coeficiente de mortalidade da doença no país, ou seja, estão 50% acima da média nacional. Até 1º de junho, a região tinha 39,1 óbitos para cada 1 milhão de habitantes. Porém, ao fim do mês, esse número passou para 127,7 mortes a cada 1 milhão.

O motivo dessa escalada nos casos pode ser explicado, em parte, pela retomada de várias atividades, como transporte público, comércio em geral e até parques. Na semana passada, Santa Catarina registrou o segundo pior índice de isolamento social do país: 37%, de acordo com levantamento feito pela empresa InLoco. Esta semana, o índice teve leve melhora, subindo para 39,70%, colocando o estado em 19º no ranking nacional.

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O isolamento social no estado chegou à sua maior marca no dia 22 de março, quando o governo estadual havia imposto medidas mais restritivas. Naquela data, o índice era de 72,8%.

De acordo com Alan de Jesus Pires de Moraes, especialista em Epidemiologia, doutor em Ciências do Movimento Humano e professor da Universidade do Vale do Itajaí (Univali), o aumento no número de casos e óbitos na região tem muito a ver com a má gestão dos autocuidados dos próprios cidadãos.

“Em diversos momentos, nos deparamos com pessoas não utilizando máscara, sem higienização das mãos e nem o uso do álcool gel, bem como promovendo festas particulares em casas e apartamentos”, comenta. Para ele, se as medidas básicas fossem seguidas, amenizaria a situação. Em sua avaliação, diante do momento vivido na região, existe a necessidade de forçar o isolamento para tentar “conter o impacto avassalador do novo coronavírus”.

Graduado em Educação Física, o professor ressalta também a importância de medidas de proteção durante atividades físicas ao ar livre.

“O uso da máscara é essencial nesse momento, ela não apenas protege de ser infectado, mas acima de tudo ela se torna uma barreira contra a nossa emissão de gotículas de saliva. Durante a prática de exercício físico acabamos por emitir muito mais gotículas de saliva, então o uso é uma questão de proteção, mas muito mais de empatia, de querer proteger o outro. Afinal, podemos estar contaminados, mas assintomáticos, e nem por isso deixamos de contaminar os outros. Então para a prática de exercícios físicos ao ar livre e em academias se faz necessário o uso da máscara. Para facilitar a respiração podem optar por máscara de TNT e descartar ou trocar assim que ela ficar umedecida”.

UTIs na região

A alta no índice de infectados preocupa a região, que vai sofrendo gargalo nos atendimentos. Na última semana, Balneário Camboriú e Itajaí chegaram a ter suas vagas de UTI exclusivas para tratamento de pacientes da Covid-19 esgotadas. Na quarta-feira (15), conforme boletins epidemiológicos das duas cidades, as taxas de ocupação das UTIs são de 81% e 78%, respectivamente.

O último levantamento do Governo do Estado sobre ocupação das UTIs foi divulgado no boletim epidemiológico de segunda-feira (13), quando 987 dos 1.376 leitos de UTI existentes pelo Sistema Único de Saúde (SUS) estavam sendo ocupados (71,7% do total), dos quais 376 utilizados por pacientes com confirmação ou suspeita de infecção por coronavírus.

Para o Governo do Estado, até o momento, não há necessidade da implementação de um hospital de campanha. Segundo o assessor de comunicação da Secretaria do Estado de Saúde, Fabrício Escandiuzzi, a estrutura hospitalar catarinense foi ampliada em 570 leitos de UTI, aumento que representa 70% em relação ao que era anteriormente. “No momento, essa é a linha adotada, mas a situação é analisada diariamente”, explica.

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 Promessas do governador

Durante a visita à região no dia 18 de junho, o governador Carlos Moisés e o secretário estadual de Saúde, André Motta Ribeiro, se comprometeram com o envio de seis ventiladores pulmonares para o Centro de Tratamento da Covid-19, em Balneário Camboriú, e com o término das obras nos 10º e 11º andares da nova torre do Hospital Marieta Konder Bornhausen, em Itajaí, dentro de um mês.

Questionada pela reportagem do Expresso das Praias, a Secretaria de Estado de Saúde informou que os seis ventiladores já foram encaminhados. Gabriella Bellé, coordenadora de imprensa da Prefeitura de Balneário Camboriú, confirmou o recebimento, porém ressaltou que eles apresentaram falhas e foram substituídos por outros alugados até que a Weg, empresa responsável pelos ventiladores enviados pelo Estado, solucione os problemas.

Quanto às obras no hospital, em Itajaí, a Secretaria de Estado de Saúde não forneceu resposta. Por meio da assessoria, o Hospital Marieta disse que as obras estão “dentro do cronograma previsto”. Novamente questionada, se isso significaria que os dois andares estariam finalizados dentro do prazo de 30 dias, conforme estipulado pelo Governo do Estado, a assessoria do hospital declarou que tudo está “dentro do cronograma” e o 10º e 11º andares devem “entrar em atividade em breve”.

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